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08 janeiro 2011

A Mão Esquerda de Deus (Paul Hoffman)

O Santuário dos Redentores é um lugar desolador,  onde só existe tortura e crueldade, lá  não existe vínculo de amizade ou confiança. 


Os meninos que lá vivem, também chamados de acólitos, são criados a base de luta e medo, onde cada resposta incorreta ou até mesmo um olhar que não agrade o Redentores pode valer uma surra pesada. Não existe muita diferença entre um campo de batalha e o Santuário.



Tratados pior do que vermes os acólitos estão acostumados com a brutalidade e são treinados para esperar o pior.
Thomas cale é o protagonista da história, um menino de 14 treinado com crueldade para matar, instigado a não confiar nem sentir piedade de ninguém.

Certo dia, em meio a violência, Cale e seu "amigos" Henri Embromador e Kleist fugindo de uma punição, descobrem um túnel secreto que leva a um lugar onde eles avistam pela primeira vez  meninas. Todos ficam muito surpresos, pois é expressamente proibido mulheres no Santuário. 

Os Redentores pregam que as elas (mulheres) são um joguete do Diabo e qualquer um que tenha contato com elas deve purificado (queimado, ou fervido em banha quente). 


A partir daí os meninos ficam curiosos e percebem que há algo extremamente errado no Santuário. Até que Cale presencia uma atrocidade cometida por um Redentor, algo tão horrendo e aterrorizante, que se torna a gota d'água, e em um ataque de fúria e medo Cale mata um Redentor e salva a vida de Riba (uma das garotas que eles haviam visto). Sem nenhuma alternativa e desesperado ele, juntamente com Riba e seus amigos foge para longe do Santuário, algo que ninguém nunca havia conseguido antes. 


Eles atravessam a floresta e chegam ate Memphis, onde Cale conhece personagens importantes que transformam vida para sempre.

O livro é ótimo, foi muito bem escrito, a historia é consistente e instigante. O autor teve todo um cuidado para criar um universo único. Com pouquíssimos clichês, o que me agradou de fato,  ele cria uma aventura cheia de batalhas e personagens encantadores.



Eu esperava apenas mais uma história de luta e revolta de um jovem maltrato, não poderia estar mais errada, Cale está longe de ser o personagem fraco que vive se lamento ou se revoltando, na verdade ele é apenas um garoto que só conhece crueldade, tem seus defeito e falhas, mas também tem suas qualidades. 


Paul Hoffman caracterizou de uma forma excelente seus personagens, eles não são enjoativo ou estreiotipados, como na maioria dessas histórias, muito pelo contrário eles são tão bacanas e bem escritos que você ri, chora, sente raiva e até medo deles, de todos eles, não apenas de Cale. 
Henri Embromador caiu nas minhas graças, eu adorei (embromador de primeira, ri muito), Kleist com sua ironia e sarcasmo, rende as ótimas frases no livro (imperdível), Riba é a única meio chatinha. 
Enfim o livro é maravilhoso. Foi realmente muito bem trabalhado e termina de um forma...daquelas que você mal pode esperar pela sequência. (Para quem não sabe trata-se de uma trilogia).


"- Qualquer idiota pode dizer que não confia em ninguém. O problema é que às vezes é preciso. As pessoas podem ser nobres, abnegadas e todas aquelas outras qualidades admiráveis. Elas existem, mas a questão é que essa virtudes nobres tendem a ser inconstantes. Ninguém espera que um homem bem-humorado ou uma mulher bondosa sejam assim o tempo inteiro todos os dias. Mas, mesmo assim, ficam chocados quando uma pessoas é confiável durante um mês ou um ano e deixa de ser por uma hora ou um dia." (pág. 151)

 " - Há dez anos que ele me ensinava sobre a guerra. Os Redentores tem uma escola só para isso. Somos uns duzentos no total. Eles nos chamam de Projetos. Eu sou o melhor.  
- Quanta modéstia. 


- Eu sou o melhor. A modéstia não tem nada a ver com isso. "      (pág. 280) 





" - Sabe de uma coisa, Albin, quanto mais velho fico, mais acredito que o amor, quando julgado pelos seus efeitos mais visíveis, se parece mais com o ódio do que com a amizade." (pág. 326)       
                                                                                                                                            

                                                                                                

Editora: Suma de Letras
Paginas: 327
Nota: 9



OBS: Se algúem estiver interessado o blog Coffie And Movies está sorteando um exemplar do livro. Dá uma passadinha lá, vale a pena. Eu já me inscrevi.

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