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16 junho 2014

O Escriba de Granada (Gilberto Abrão)

Editora: Companhia Editora Nacional
Autor: Gilberto Abrão
Páginas: 360
Nota do Sempre Nerd: 3/
Escrever sobre temas polêmicos de maneira ardilosa,realista e envolvente é o trabalho de Gilberto Abrão. Se o leitor se surpreendeu com O muçulmano e a judia, se renderá definitivamente neste seu novo trabalho, O escriba de Granada. De um lado, temos a história contada pelo escriba, Abul Qacem, narrando o auge e a queda de Gharnata para os reis católicos. Essa história é entremeada por um tórrido e proibido romance que o escriba vive com a sultana Aisha, esposa do rei de Gharnata. Tal romance será tanto motivo de glória como de tragédia para o escriba. Do outro, temos Jorge, um funcionário público brasileiro que vive seus dias sem propósito, apenas criticando e julgando comunistas, homossexuais, muçulmanos e negros. Jorge tem um segredo que não revela a ninguém. Na tentativa de compreender esse segredo, ele inicia uma empreitada que revelará muito mais do que ele sonha encontrar. Duas histórias paralelas com um ponto em comum. Leia, descubra e se deixe tomar pelo caleidoscópio de emoções.

Nesse livro vamos acompanhar a história de dois personagens em épocas e lugares diferentes.
Primeiro somos apresentados a  Jorge que é abandonado pelo pai, e sua mãe sem condições de ficar com ele e trabalhar acaba por colocá-lo em um internato, onde passa a sofrer abusos, algo que irá marcar-lo para sempre e assombrá-lo em toda sua vida adulta, ele se torna uma pessoa extremamente preconceituosa e difícil de conviver, muitas vezes o achei cruel.
Também vamos acompanhar Abul Qacem, o escriba de Granada, que vai viver uma romance proibido com a sultana Aisha, esposa do rei. Abul é um grande aliado do sultão e muitas vezes se sente culpado por o estar traindo-o. E mesmo sabendo e temendo que esse romance pode causar ao reino, eles não resistem e se entregam a paixão.

A história desses dois personagens se cruza quando Jorge, aos 65 anos, vai para Granada e em busca de um sentindo para a vida acaba encontrado um manuscrito sobre Abul.

Embora sejam histórias distintas, contadas em épocas separadas, ambos os personagens, passam ao leitor questões sobre o comportamento humano, a necessidade de se sentir amado e compartilhar o amor.

O autor tem uma narrativa ótima e fluida, que envolve o leitor com facilidade. É bem descritivo e consegue construir ótimos cenários.
Os personagens também são bem desenvolvidos e dão bastante realismo a trama. Em muitos momentos é possível ficar com os sentimentos conflitantes, em relação aos personagens, pois conhecemos suas fraquezas, seus tormentos e suas alegrias e acabamos criando uma certa empatia.

Enfim o Escriba de Granada traz ao leitor uma história polêmica e bem contextualizada que vai trata de temas como religião, política e sentimentos reais do dia a dia. 

7 comentários :

  1. Muito interessante este livro. Tem um tema bem envolvente e me despertou o interesse. Gosto de leituras que nos deixam envolvidos e entretidos. E este livro me parece ser isso tudo. Vou tentar ler. Beijos.

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  2. Ainda não conhecia esse livro e nem o autor. Parece ser uma história bem intrigante mesmo. Fiquei curiosa pra conhecer Jorge e Abul e suas histórias.

    Bjok

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  3. Oi, Aline
    Achei a história desse livro super diferente. Gostaria de saber o que une esse dois personagens. Gostei dos temas abordados no livro, como religião e política.

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  4. Oi!
    Gostei desse romance mais do que proibido, perigoso demais. Amo quando a história põe dois personagens que talvez tenha algo parecido em épocas diferentes e daí percebemos que mesmo que nunca tenham se conhecido parece ter uma ligação. Acho que esse livro trás isso, espero não está enganada, mas vale a pena arriscar a ler.

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  5. Autor novo pra mim. É vergonhoso, mas não tenho o hábito de ler autores nacionais - me corrija se eu estiver falando bobagem qto a nacionalidade do autor -, mas é pq, em sua maioria, são assuntos que não me atraem, como é o casa desse livro. Se o encontrasse numa livraria não o pegaria pq é um tema que não me atrai, mas, com a sua resenha, já conseguiu me fazer mudar de ideia.

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  6. Aline!
    Gosto de livros que são bem contextualizados e mesmo em épocas distintas, podemos perceber a ligação das personagens.
    Sem contar que um romance do passado carregado de traição e situações conflituosas, aguçam a curiosidade.
    Se pudesse ler todos os bons livros...
    cheirinhos
    Rudy

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  7. Katia Costa Schwanke (katiaeli28 de junho de 2014 22:53

    Nossa Aline, que tema mais instigante. Adoro livros que tragam algo relacionado a religião dos paises do Oriente. Eu imagino o tamanho da punição que a esposa do Sultão deve ter recebido se a traição foi descoberta. E imagino Jorge lendo esse manuscrito e vendo que sua vida não era tão infeliz comparado a Abul que teve que esconder esse amor.

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